Régis Soares é um artista plástico original! Faz de sua arte, há tantos anos, uma contundente e perspicaz crítica social. Transita com desenvoltura e leveza pela política e pelos eventos mais significativos de nosso tempo. Suas charges intencionalmente simples com textos curtos atendem perfeitamente à sua proposta: atrair e impactar as pessoas que transitam rapidamente com seus veículos pelo local onde expõe seu trabalho. É uma comunicação perfeita! Mas o que esta por trás de tudo isso? O projeto estético do artista (forma e conteúdo), muito bem resolvido, tem a pretensão de levarmo-nos a praticar algo raríssimo nos dias atuais: pensar, refletir e, conseqüentemente, decidir, optar diante de tudo o que nos acontece. Infelizmente, estamos acostumados a aceitar e reproduzir passivamente a vontade dos outros (mídia, grupos políticos, etc.) Ficamos sempre na superfície de tudo e, portanto, sendo conduzidos pelos interesses mesquinhos de uma minoria cínica que se diz a favor dos direitos dos mais fragilizados (o povo sofrido). Régis quer dizer a cada um de nós com sua obra: 'você não é gado, não! Questione a realidade!' Ele é um criador independente, corajoso. Não pretende agradar a ninguém. Isso é o que faz dele um artista diferenciado, além do seu inegável talento. É verdadeiramente um artista consciente do seu papel social. Creio que por isso mesmo, ou seja, por ser fiel a si mesmo, sente-se só, alijado de muitos espaços dominados pelos senhores do poder. Lembro-me dele ao ler um trecho do diálogo da peça de Ibsen, Um inimigo do povo: DR. STOCKMANN (Baixando a voz.) - Psiu! Mas não digam por enquanto nada a ninguém, porque fiz uma grande descoberta. SRA. STOCKMANN – Mais uma? DR. STOCKMANN – Sim, mais uma! (Reúne todos em volta e fala em tom confidencial.) Ouçam com atenção o que lhes vou dizer: o homem mais poderoso que há no mundo é o que está mais só. Mas o reconhecimento vem por meio de todos os que acreditam que o mundo só pode mudar quando procurarmos fazer a nossa parte, sobretudo indo na contramão do caminho fácil da mentira, hipocrisia, omissão e desonestidade. Parabéns, Regis. Você é o editor-chefe (sem jornal) de João Pessoa. Um nome 'Regis-trado' no coração e nas mentes (pensantes) da cidade. Ah! Não é só o mago que é 1000 não, viu!