Skip to content
  • Por Gilson Renato - Jornalista
  • 22 Janeiro 2002

Charges na Rua - 2002

Charges na Rua - 2002 - 5.0 out of 5 based on 1 vote
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Avaliação 5.00 (2 Votos)

O que seria possível comprar se conseguíssemos transformar em centavo cada par de olhos que, com expectativa e curiosidade, se voltar para o painel que Régis Soares expõe na Rua Etelvina Macedo de Mendonça, no bairro da Torre! A pé, de ônibus ou em outros veículos, a cidade aprendeu a diminuir a velocidade ao passar em frente ao ateliê do artista. É que lá existe uma 'boca' que sempre diz, de forma jocosa e inteligente, algo que todos gostariam de dizer e que só assim, finalmente, dizem. Régis Soares, há 14 anos, colocou um pedaço de madeira contendo uma charge que chamava a atenção da Prefeitura e dos transeuntes para um velho buraco que, inundado, dificultava o acesso ao seu ambiente de trabalho. O artista, acidentalmente, inventou um 'mass media' que, pela intensidade comunicacional que comporta, já se incorporou à nossa cultura e tomou status de patrimônio público. Mesmo sem nenhum reconhecimento oficial a CHARGE DE RUA já foi legitimada como bem cultural pelo povo da cidade. A crônica semanal de Régis é feita de futebol, política, cotidiano, euforia e sofrimento. Todo bom cronista é um processador de sentimentos, sensações, angustias, perdas, aspirações e retaliações pessoais e sociais. Por esta razão, ao ter contato com uma boa crônica, nos fica a sensação de que fomos nós que a concebemos. É que os bons cronistas são, em essência, intérpretes dos discursos das nossas almas.

Régis Soares é um dos meus intérpretes preferidos. Ele está sempre dizendo que eu gostaria de dizer na forma que eu não consigo. Há momentos em que passo apressado e ao perceber uma charge inspirada sinto mais que admiração; sinto algo entre a alegria e o êxtase. Um chute que eu gostaria de dar em uma certa canela de pés malvados, está lá, chutando; um palavrão que eu gostaria de gritar no ouvido de cabeça suja, está lá, gritado; mas às vezes, um beijo que eu gostaria de dar em uma face limpa, também esta lá, beijado.

Tudo isto vem de uma figura humana que consegue ser do tamanho da arte que há mais de vinte anos veicula através de jornais, revistas, livros, faixas e de sua mídia particular. Íntegro, ético, espirituoso e bem humorado, o chargista, caricaturista e pintor Régis Soares é também um grande amigo. Dele se pode esperar, sempre, clareza de princípios e sinceridade. Tantas virtudes o municiam para com a sua obra, pisar sem culpas nos calos dos que merecem ter calos pisados.

Se fosse possível transformar em centavos os olhares que, ao longo destes quatorze anos, se voltam para a CHAGE DE RUA de Régis Soares, certamente poderíamos construir o maior out-door do mundo para homenagear o artista, a sua obra e os seus admiradores. Mas a arte não tem , necessariamente, que ter preço. Se esta necessidade houvesse, Régis, com todos os critérios que marca a sua personalidade, já teria aceito alguma da propostas de patrocínio feitas por particulares e instituições que gostariam também assinar o seu trabalho. Se o patrocínio não interessa ao chargista, melhor para todos nós, usuários desta mídia que se mantém íntegra, nos diverte dia a dia, carrega a nossa marca e repercute os gritos mudos das nossas almas.

Viva a Régis Soares!

Adicionar Comentário

Comentários

  • Nenhum comentário encontrado
Saiba tudo sobre nossas novidades, lançamentos e serviços...