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  • Por Cláudio Limeira - Poeta
  • 22 Julho 1993

Charges e Caricaturas - 1993

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Foi lá pelos fins dos anos 70, quando a ditadura começava a soltar os primeiros estertores, que conheci Régis Soares. Havia no ar um tênue clima de abertura política e nesse quadro de identidade ideológica, fizemos os primeiros contatos. À época Régis era, como tantos outros, um adolescente curioso e inquieto, que ficava o tempo todo acompanhado as intermináveis e estéries discussões dos boêmios pelos botecos e bares de então. Guardava porem um detalhe:pouco falava! Logo depois descobrimos a razão de seu aparente mutismo: tinha uma forma própria de expressão - o traço – sim – a magia da linha, se mexendo e escorregando ofídica no papel branco, pronta para dar um bote preciso no primeiro que aparecesse na sua imaginação. Era uma época difícil. A proporção que as coisas iam acontecendo, seu bico de pena, à nanguim, ia registrando celeremente tudo, através de gravuras, charges, caricaturas, etc, numa frenética produção que ocupava quase todo seu tempo. Muitas vezes projetos, estudos, afazeres diversos, iam ficando para trás, parecendo vagabundagem aos olhos simplórios dos familiares. Foi aí, nesse clima que o garotão inquieto começou a registrar a história política da Paraíba, do Brasil e, por que não dizer, do mundo:- sim, era o rosto do mundo que começava a aparecer no seus bonecos hilários: políticos corruptos, incompetentes, clínicos, mentirosos, safados, já bem conhecidos do anedotário popular e do incauto ( até quando?) eleitorado traído. Outro dia ele foi feliz ao dar resposta a uma pergunta que lhe foi dirigida à queima roupa:”-não sou nada engraçado. Os políticos é que são a piada” disse.

Muitos já disseram que a história sempre foi melhor contada pelos artistas que pelos historiadores de ocasião. O controvertido Andy Warhol, por exemplo, num estalo genial, retratou a sociedade de consumo americana através da obsessiva repetição da imagem esteriotipada de Marilyn Monroe e da latas de sopa, numa clara alusão a vertiginosa produção industrial, como que lembrando a também industria cultural do cinema, rodando na alucinação de 24 fotogramas por sengundo.

Para nossa felicidade maior, neste país amnésico, a história foi e/ou tem sido bem traçada por artistas como Santa Rosa, Péricles, Millôr, Carlos Estevam, Ziraldo, Jaguar, Domingos Sávio, Lan, Luis Sá, Appe, Henfil, Caruso, Só para citar bem poucos. Agora Régis teve a brilhante idéia de nos brindar com a coletânia CARICATURAS E CHARGES NO PAÍS DA POLITICAGEM, onde reúne em livro os melhores momentos de sua carreira, num somatório de experiências adquiridas através do tempo.

Diante disso tudo o bom mesmo é saber que todo dia os humoristas, chargistas, cartunistas, amanhecem estampados em quase todos os jornais do mundo para mostrar corajosamente, e de forma sardânica, a cara safada dos que querem interromper a grandeza do homem.

Não sei mesmo porque estou me alongando tanto neste bate-papo, vez que Régis Soares já é indiscutivelmente, presença certa na nossa rica galeria de bons artistas, às vezes pouco lembrados.

Portanto, parabéns Régis: - Siga em frente para nossa alegria!

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